Rugby

Origem
football-at-rugbyNo ano de 1823, na Rugby School, na cidade de Rugby, Inglaterra, um aluno chamado William Webb Ellis, tomou a bola em suas mãos e, desrespeitando as regras do futebol vigentes na região (Rugby School Football Rules), que permitia que a bola fosse segurada com as mãos (mas somente se o jogador recuasse do ponto onde pegou a bola), avançou rumo ao campo adversário, enquanto os oponentes tentavam segurá-lo para impedir a sua progressão.

História
O rúgbi não é fruto de uma jogada isolada. Desde o final do século XVIII, os antigos jogos com bola medievais, chamados de football, passaram a ser incorporados pelo sistema de ensino britânico como parte da educação física e da recreação dos garotos. Cada escola e universidade britânica tinha, pois, sua forma própria de jogar, com suas próprias regras, ainda que não escritas. Não havia, portanto, um football, mas vários, sem qualquer organização. A Rugby School, por exemplo, tinha a sua própria forma de jogar que, como em todos os lugares, sofreu alterações com o passar do tempo. Assim, quando se fala que o rúgbi nasceu de uma jogada do futebol, não se deve imaginar ofootball association (o futebol), que só surgiu em sua forma moderna em 1848, mas de uma forma de football. O Caid irlandês, jogo tradicional celta semelhante ao football, influenciou os jogos das escolas com presença de alunos irlandeses, como era o caso de Webb Ellis, e está entre as influências do jogo da Rugby School.

O historiador Tony Collins afirma que das poucas coisas que sabemos a respeito de William Webb Ellis, de uma coisa temos certeza: ele não inventou o rúgbi. Ellis viveu sua vida na obscuridade como clérigo, e apenas em 1872 foi apontado por Matthew Bloxham, um ex-aluno de Rugby como o garoto que havia corrido com a bola nas mãos. O jogo da escola de Rugby tornou-se antes notório por meio de um outro garoto: Tom Brown, personagem fictício do livro Tom Brown’s Schooldays, de Thomas Hughes. Com  isso, a história o ex-aluno real de Rugby, William Webb Ellis, não desempenhou grande papel no desenvolvimento do jogo até os anos 1880, segundo Collins.

Rugby no Brasil
Contar sobre o esporte no Brasil é contar também como ele se propagou pelas Américas. As origens correram em paralelo e graças às relações políticas e comerciais com a Europa, o esporte chegou às nossas terras. Graças às viagens dos colégios para concretizar partidas amistosas e também pela expansão do Império Britânico. No Brasil, o papel dos soldados alistados no exército, professores e trabalhadores expatriados que levou para além das fronteiras esta modalidade.

Nos inícios de 1860 nasce o primeiro clube fora da Europa em jogar Rugby: o Montevideo Cricket Club de Uruguai. Em 1864 alguns sócios do Buenos Aires Cricket and Rugby Club (Argentina), também começavam a adota-lo. Cabe mencionar que no presente, ditos clubes continuam oferecendo sua prática na comunidade.

Pelas duas costas da Canadá, arribavam os navios militares que partilhariam o esporte naColumbia britânica (oeste) e na região de Quebec/Ontario (leste). Simultaneamente nos Estados Unidos, a Universidade de Yale se erguia como a pioneira do país.

O Rugby chegou ao Brasil no século 19, em São Paulo, trazido por Charles Miller, que também apresentou o futebol aos brasileiros. O primeiro clube a praticar o esporte, o “Clube Brasileiro de Futebol Rugby”, foi fundado em 1891. Após de poucos anos, as atividades de Rugby atingem também o Brasil e Chile. Em 1888, surge o São Paulo Athletic Club (SPAC), onde, desde sua origem, teve atividades de rugby realizadas entre seus associados. No entanto em 1895, no Rio de Janeiro, o Clube Brasileiro de Futebol Rugby foi o primeiro em se dedicar única e exclusivamente a isto. Apesar de caminhar paralelamente ao futebol, até o começo dos anos 1960 o Rugby era um esporte de elite. Só com a realização do Campeonato Sul-Americano, em São Paulo (SP), em 1964, começou a ser mais difundido no país.

 

A União de Rugby do Brasil foi fundada em 6 de outubro de 1963 e tinha o propósito de dirigir o rugby brasileiro. Na época existiam apenas três equipes em São Paulo e uma no Rio de Janeiro, constituídas em sua maioria por jogadores estrangeiros, os dirigentes não regularizaram a situação da entidade junto ao Conselho Nacional de Desportos.

Durante nove anos, o rugby não contou com ajuda governamental, sobrevivendo apenas de doações particulares e de firmas estrangeiras. Realizar algo com recursos tão escassos não foi tarefa fácil. Mesmo assim, os dirigentes, durante todos esses anos, procuraram fazer várias promoções que divulgassem o rugby brasileiro. Em 1964, a União de Rugby do Brasil patrocinou o III Campeonato Sul Americano de Rugby em São Paulo. Em 1971, o Brasil participou do VI Campeonato Sul Americano realizado em Montevidéu. As dificuldades financeiras haviam impedido a participação brasileira nos IV e V Campeonatos Sul Americanos, realizados na Argentina e no Chile, respectivamente. Apesar da falta de verba, a União de Rugby do Brasil conseguiu organizar duas excursões de juvenis, à Argentina e ao Uruguai, em 1965 e 1969. Em 1972, o Brasil disputou o I Campeonato Sul Americano Juvenil de Rugby, realizado em Buenos Aires.

 

Em 20 de dezembro de 1972, a URB foi substituída pela ABR (Associação Brasileira de Rugby). O crescimento do rugby brasileiro de 1963 a 1972não comportava mais a ausência do apoio financeiro e material dos órgãos esportivos municipais, estaduais e federais. Assim sendo, os dirigentes providenciaram junto ao Conselho Nacional de Desportos a legalização da entidade. Desta forma, a entidade ficou com a responsabilidade de organizar campeonatos nacionais e dar respaldo às competições estaduais que foram surgindo nos anos seguintes. Em 1964, logo após a fundação da URB, foi criado o Campeonato Brasileiro de Rugby, com o nome de Torneio Aberto de Rugby, do qual participavam clube de São Paulo e Rio de Janeiro. Apenas em 1977 o Rio de Janeiro passou a contar com três clubes, permitindo a criação do Campeonato Fluminense de Rugby. Com isso, no mesmo ano, o Campeonato Paulista de Rugby foi criado de forma separada do Campeonato Brasileiro de Rugby, garantindo a existência de competições diferentes em nível nacional e nos níveis estaduais.

A ABR também foi uma dos fundadoras da CONSUR (Confederação Sul-Americana de Rugby) em 1989. Em 1991 a ABR se filiou à FIRA(Federação Internacional de Rugby Amador), mas sua filiação ao IRB (International Rugby Board), entidade máxima que administra o rugby no mundo, só aconteceu em 1995.

No início de 2010, a Associação Brasileira de Rugby mudou seu nome para Confederação Brasileira de Rugby. A alteração aconteceu para a entidade se adequar à estrutura administrativa esportiva vigente no Brasil, facilitando o apoio recebido do COB (Comitê Olímpico Brasileiro). A transformação da Associação em Confederação se deu no momento que o Rugby Sevens foi incluído como esporte olímpicas, tendo sua estreia marcada para os Jogos Olímpicos de 2016, no Rio de Janeiro.

No ano de 2012, a CBRu formalizou um convênio técnico com a União de Rugby de Canterbury, uma das mais maiores uniões (federações) provinciais da Nova Zelândia, representada no Super Rugby pelo Crusaders, franquia mais vitoriosa da principal liga do hemisfério Sul. A partir desse momento, as seleções brasileiras passaram a ser comandadas por técnicos neozelandeses e uma viagem anual dos atletas das seleções brasileiras de sevens passou a fazer parte do cronograma de atividades.

Em 2013, a CBRu passou por uma importante reforma de estatuto e governança, tornando-se a primeira confederação esportiva brasileira a adotar um Conselho de Administração. Esse órgão é hoje presidido por Eduardo Silveira Mufarej.

Referências bibliográficas:
COLLINS, Tony. A social history of the English Rugby Union. Abingdon: Routledge, 2009.
FRANCO JÚNIOR, Hilário. A Dança dos Deuses. Futebol, sociedade, cultura. São Paulo: Companhia das Letras, 2007.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *